Laban, Rudolf Laban, nome artístico de Rezső Keresztelő Szent János Attila Lábán, foi um dançarino, coreógrafo, teatrólogo, musicólogo, intérprete, considerado como o maior teórico da dança do século XX e como o “pai da dança-teatro”, cita essa frase maravilhosa que já denota o que nós artistas muitas das vezes sentimos sem conseguirmos falar: “A dança é o meio de dizer o indizível da mesma forma que a característica da poesia é ultrapassar o sentido estrito das palavras“.

Utilizando o ensejo de Laban, quando um bailarino, ou um artista dançarino consegue expressar na sua dança as expressões que a música, o baile requer, o artista sente como que sua “veia artística”, tecnicamente, e também, de maneira a não conseguirmos definir mais que magicamente através da arte, as emoções que todo o contexto que a musicalidade expressa. Além da própria expressão do bailarino, o público pode também fazer uso dessas expressões emocionais demonstratas no palco. Isso ocorre porque dentro de todo ser humano, ocorre um processo empático entre e um circuito neuronal em especial nas regiões frontais do cérebro chamadas Neurônios Espelho.
Essa semana tive o prazer de receber pela magnífica maestra Ale Gutierrez, essa matéria que saiu no ABC de Sevilla, um estudo recente em que estudiosos no campo da Neurociência realizaram na mesma linha de pesquisa sobre a reação do público e das expressões do artista “indizíveis” no palco Flamenco. Segundo esse site, em 1933 Federico García Lorca defendeu sua “Teoria e jogo do duende” em Buenos Aires, algo tão misterioso tal como que todos sentem e que nenhum filósofo explica”. Foi então que a equipe de Jesús Romero Imbroda, chefe do Serviço de Neurologia do Hospital Quirónsalud Málaga, e Cristóbal Carnero Pardo, quase que depois de noventa anos após García Lorca ter conferido tal proposta em Granada, esses cientista realizaram essa investigação, e observaram possíveis caminhos da origem neurológica da interação público artista que ocorre nesse brilhante universo da música e da dança. Segundo as observaç~´oes, foi visto que dentro das artes não faladas, aquelas que não precisam de muitas interpretados, as expressões emocionais se tornam mais aguçadas, e se torna uma emoção partilhada. Segundo Jésus, partes cerebrais ou memórias antes adormecidas pelo paciente são resgatadas com a arte, acmopanhadas de uma resposta fisiológica e corporal visível dentro de estruturas cerebrais, “onde a rede de Neurónios-espelho desempenham um papel relevante essencial”

Quase noventa anos depois daquela conferência do poeta de Granada, uma equipe de médicos andaluzes embarcou em uma investigação para desvendar a origem neurológica dessa sensação de conexão entre artista e público diante de manifestações que podem ir da música à dança. , um recital de poesia ou o teatro.Segundo o estudo realizado pelos médicos Jesús Romero Imbroda, chefe do Serviço de Neurologia do Hospital Quirónsalud Málaga, e Cristóbal Carnero Pardo, todas as artes são capazes de despertar este duende, mas “é mais típico da música, da dança e da poesia. faladas, porque estas requerem uma interpretação, pois o duende é, em última análise, uma emoção partilhada».defendem que “o duende está adormecido e é ativado em determinadas circunstâncias, como numa performance musical, acompanhada de uma resposta fisiológica e corporal em que participa uma extensa rede de estruturas cerebrais, onde os neurónios-espelho desempenham um papel relevante e essencial”. Uma das notas mais graciosas desse artigo do ABC de Sevilla é quando o pesquisador conta sobre a conexão do cantaor El Lebrijano e de artistas com Lola Flores oferecendo adjetivos como elfa, anjo e poder. *Sugestão de vídeo com Lola Flores (esse particularmente mexe com toda minha alma! Lola Flores espetacular !) https://www.youtube.com/watch?v=uG7zDbk8fMg
As pesquisas sobre Os Neurônios Espelhos são realmente extraordinárias, e tem ajudado em diversas áreas como por exemplo, no campo das relações humanas e nos avanços em técnicas para autismo, pois é nessa mesma região em que percebemos alterações no cérebro atípico. Portanto, a dança egloba diversos públicos e diversidades.
Ao tratar de Neurônios espelho e como interferem na comunicação das pessoas com a arte: bailarinos-público-arte-cérebro entendemos uma gama de relações. Porém, o assunto é extenso, e não pode parar! Sugiro meu vídeo no YouTube, onde faço um breve resumo do meu Trabalho de Conclusão de Curso da Minha Pós Graduação em Neuropsicologia, cujo tema foi: “O aprendizado na Dança em tempos de pandemia- Uma visão Neuropsicológica dos Neurônios Espelho” e que recebi nota máxima 10. Esse trabalho me orgulho muito, e sou muito grata, pois tive a ajuda de professoras da dança de estados diversos do Brasil, em que puderam contar seus relatos sobre a educação na Dança em tempos de pandemia, e como refletiu suas vidas. Portanto, foi um trabalho em que envolveu educação, dança, e aspectos dos sistemas Neurobiológicos, como é o sistema dos Neurônios Espelho, e como ele participou na educação remota enquanto houve essa falta de contato presencial.
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