Continuando o Mapa da Diáspora Cigana, e a fim de entender a chegada dos ciganos no Brasil, começa-se esse enredo compreendendo como foi a passagem deles em terras lusitanas. Os primeiros ciganos em Portugal, em torno de 600 romanis através das divisas entre Espanha e Portugal (MENINI, 2014 apud COELHO, 1892). Porém, apesar da quantidade não ser exorbidante, não foi invisível sua chegada. Uma das primeiras referências a esse momento é de Gil Vicente em “O Auto das Ciganas” em que mostra os primeiros conflitos e as manifestações em formas de petições para a não permanência desses novos moradores em Portugal. Ora, pois, em 1525 após a população queixosa e petições sendo realizadas as petições foram realizadas das Cortes de Torres Novas, e em 1535 que as “Petições de Évora” onde havia relatos de furtos e feitiçarias em que os ciganos no reino negavam foram também realizadas, manifestando o desejo da retirada desse grupo.

DANÇA CIGANA NO BRASIL:
Segundo TEIXEIRA, 2009 e VIANA, 2018, a Princesa da Beira, filha mais velha de D. João VI casou com um infante proveniente da Espanha quando em 1810, onde Ciganos estiveram presentes dançando o Fandango Espanhol.
Mello Moraes Filho em “Um casamento de Ciganos em 1830” relata sobre suas observações: “Erguiam- se brindes, rasgavam- se cumprimentos, bebia- se com entusiasmo à saúde do ditoso par. Ao anoitecer, as danças, os chorados de viola, os fandangos, aos brilhos das luzes nas mangas de vidro e nas serpentinas, ao aroma encantado das flores nativas exornando as portadas e os aparadores magníficos” e ainda: “E o bródio recomeçava, acordando a noite com o sapateado dos fandangos, o sonido das violas e as cantilenas meigas e plangentes (…) (p.200)”.
Daqui de instrumento histórico dá-se para entender é que os ciganos chegaram no Brasil trazendo sua cultura. Do Grupo Calon, os Fandangos, e os outros grupos, o que na pesquisa até aqui não tem- se referência até então, pressumi-se que também. Do que são percebidos em acampamentos eles usam a musicalidade e danças locais como o Forró, e vão se adaptando, na medida em que vão se regionalizando, e criando uma musicalidade atualmente chamada “Modão Cigano”.
A CULTURA CIGANA DOS CIGANOS NO BRASIL
Os ciganos são como camaleões, ao mesmo tempo em que possuem suas peculiaridades e sua forma de viver e conviver, conseguem se adaptar ao local em que estão. No caso dos Ciganos no Brasil, não foi diferente. Ao adentrar em terras brasileiras, se adaptaram à música, à comida, e às vestimentas.
Apesar de saber enquanto pesquisa que há diversidade de cada família e não há uma só cultura, e sim uma “policultura”. Já cita: TEIXEIRA, 2009:
“os ciganos são múltiplos e unos. Nenhum cigano conhece todos os detalhes da identidade em que está inserido. Tal como não conhece o espaço cultural que o comporta, não sabendo, pois ler todo o seu ‘mapa cultural’ (…). Cada cigano é portador de um conjunto singular de elementos dessa identidade, embora não haja uma noção de individualidade tal como no mundo ocidental” (Ciganos no Brasil: 22).


Os Romani que estão inseridos na cultura brasileira foram criando identidade cultural (se assim pode-se dizer) ao conhecer a cultura brasileira tamanha diversidade cultural também brasileira. E cada família irá levar sua própria peculiaridade cultura passada de família para família.
Com isso, singularidades deverão levar-se em conta, como a singularidade religiosa, as mudanças subjetivas em que a mudança da localidade irá influenciar também. Os Ciganos no Rio foram se adaptando ali, os do RS também, porém ficou- se compreendido de que mesmo estando em terras brasileiras e adaptando- se aos costumes brasileiros, os primeiros que chegaram aqui foram os Calons por todo estudo apresentado até aqui.
Esse texto faz parte do meu Trabalho de Conclusão de Curso. Ofereça os direitos autorais à Raquel Freire.
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